Baba Sérgio de Ajunsun Canal do YouTube: www.youtube.com/africadehoje
Ogun je aja ( Ogun come cachorro ) é dessa frase é que vai nascer o caminho Ogunjá.
Nesta fase Ogun veste branco e o seu ikele é na cor azul marinho fechado com firmas de Oxalá e de Yemanjá.
Sua ferramenta é na forma de um chapéu, um guarda chuva contendo nas pontas como pingentes ferramentas da pesca, caça e da agricultura.
Quando se assenta este caminho também deve se assentar os orixás Oxum, Yemanjá e Oxaguiã, mais adiante veremos o porque de Oxaguiã.
Antes de falar mais sobre esse caminho de ogum preferi primeiro falar de Ogum de uma forma geral:
Ogum é o filho mais velho de Odudua e de Yemanjá, irmão de Odé e de Exu. Ele foi o filho que reinou no lugar de seu pai quando este, temporariamante, ficou impedido.
Ele foi é o orixá dos ferreiros, também da tecnologia. Foi ele quem abriu caminho para que os orixás chegassem ao Aiye ( Planeta Terra ) porisso ganhou o título Osi Imole.
Poder: Estradas.
Força da natureza: Ferro.
Fruto: Manga-espada, Obi, (em geral frutas de caroço único).
Flor: Palma vermelha.
Símbolos: Espada (AGADA) e Coroa (AKORO).
Indumentária: Saiote de chitão estampado, coraça e folhas de dendezeiro, branco, azul escuro e claro, verde escuro e claro, vermelho.
Comidas: - Seca = Inhame africano, Eran panteré, Milho vermelho, Côco.
- Ave = Galo avermelhado, conquem, pato.
- Quadrúpede = Bode avermelhado, cachorro, miúdos de boi.
Èèwò: Caça.
Ritmos: Agere, Ilu, Ego, Adahun, Hamunyia.
Folhas: A folha do Mariwo é um de seus emblemas, pois se veste com as palmas do Igi Ope. Bebe o vinho de palma extraído da palmeira Igi Oguro.
Ogunjá
Segundo o pesquisador Fantumbi Verger a palavra deriva da seguinte frase Ogun Jé Aja.
O escritor Reginaldo Prandi publicou a seguinte iton:
Ogum faz instrumentos agrícolas para Oxaguian
Oxaguian, rei de Ejigbô, o Elejigbô, chamado "Orixá-Comedor-de-inhame-pilado", inventou o pilão para saborear mais facilmente seus prediletos inhames. Todo o povo do seu reino adotou a sua preferência. Todo o povo de Ejigbô comia inhame pilado. E tanto seu comia inhame em Ejigbô que já não se dava conta de plantá-lo. E assim, grande fome se abateu sobre o, povo de Oxalá.
Oxaguian foi consultar Exu, que o mandou fazer sacrifícios e procurar o ferreiro Ogum, que naquele tempo viva nas terras de Ijexá. O que podia fazer Ogum para que o povo de Ejigbô tivesse mais inhame?, consultou Oxaguian. Ogum pediu sacrifícios e logo deu a solução. Em sua forja, Ogum fez ferramentas de ferro.
Fez a enxada e o enxadão, a foice e a pá, fez o ancinho, o rastelo, o arado. "Leve isso para o seu povo, Elejigbô, e o trabalho na plantação vai ser mais fácil. Vão colher muitos inhames, mais do que agora quando plantam com as mãos", disse Ogum. E assim foi feito e nunca se plantou tanto inhame e nunca se colheu tanto inhame. E a fome acabou.
O povo de Ejigbô, agradecido cultuou Ogum e ofereceu a ele banquetes de inhames e cachorros, caracóis, feijão-preto regado com azeite-de-dendê e cebolas. Ogum disse a Oxaguian: "Na casa de seu Pai todos se vestem de branco, por isso também assim me visto para receber as oferendas". E o povo o louvava e Ogum ficou feliz. E o povo cantava: "A kaja lónì fun Ògúnja mojuba". "Hoje fazemos sacrifício de cachorros a Ogum, Ogunjá, Ogum que come cachorro, nós te saudamos". Oxaguian disse a Ogum: "Meu povo nunca há de se esquecer de sua dádiva. Dê-me um laço de seu abadá azul, Ogum, para eu usar com meu axó funfun, minha roupa branca. Vamos sempre nos lembrar de Ogunjá". E, do reino de Ejigbô até as terras de Ijexá, todos cantaram e dançaram.
Referência Bibliográfica: VERGER, Pierre; Orixás, Deuses Iorubás na Africa e no Novo Mundo; 5.ª ed; Currupio, Salvador, 1997. VERGER, Pierre; Notas sobre o culto aos orixás e voduns; Edusp, São Paulo, 1999. PRANDI, Reginaldo; Mitologia dos Orixás; Companhia das Letras, São Paulo, 2001.
Quando o culto chega ao Brasil sua predileção continua sendo o aja ( cachorro) tanto que não se muda o nome, porém aqui seu culto recebe adaptações, pois esse cachorro, ao qual se refere a iton, é um animal selvagem muito perigoso tanto que ao cruzar com um sêr humano o seu ataque provoca muitoas mortes, então se olharmos por este aspécto veriámos que ao se oferecer tal animal em sacrifício para um guerreiro seria um ato muito glorioso e honroso.
As adaptações:
Aqui, em solo brasileiro, assim como houve com outros elementos que, não puderam ser importados como o feijão fradinho, farinha de akaçá, farinha de mandioca etc, o cachorro vai ser substituido pelo animal doméstico e também vai mudar o rito: quando o yawo recolhe ele o faz junto com um filhote de cão e na hora do sacrifício o cachorro é trocado por um bode e este yawo vai cuidar deste animal até que ele venha a falecer.
Por ser um caminho de Ogun muito quente, é comum quando um yawo deste santo/orixá está recolhido, acontecer grandes brigas entre as pessoas daquela casa, o que os mais velhos chama de ¨casa quente¨, sendo assim o baba ou a iya antes de recolher este yawo deve preparar a casa, colocando na cumieira inhame cará, muito ebÕ, canjica e água tudo coberto com muito mariwo. Na hora do Lagbe deste Ogun o yawo também deverá estar coberto com muito mariwo.
No vídeo eu quase falo de um procedimento ao qual eu chamo, vulgarmente, de orô do pote, o qual pe feito durante uma cerimônia, excluisva para este Ogun... ( assista ao vídeo ) ( ... ).
Por estar numa fase muito quente este ogun deve ser cuidado somente com água de côco, azeite doce e muito ebô.
É comum se ver, em casas tradicionais, o ato de confirmar a aláfia com o inhame cará que, substitui os búzios ou o obi.
No vídeo eu acrescento o valor do inhame para os africanos.
Espero que você contribua com muitas perguntas neste site para que eu possa estar deixando este artigo mais completo.
Um grande abraço!
Belford Roxo, 12 de abril de 2012
Baba Sérgio de Ajunsun.